Novo Guide Rouge Michelin 2012

Saiu o novo Guide Rouge Michelin (o famoso guia vermelho da fabricante francesa de pneus) e com ele a lista dos melhores restaurantes de Franca, os famosos 3 estrelas Michelin.

O Guia Michelin teve sua origem em 1900 quando a empresa fundada em 1888 pela família Michelin começou a publicar guias de viagem. O sistema de estrelas foi introduzido em 1926 e melhorado em 1931, quando o guia lançou o conceito que existe ate hoje: uma estrela significa “uma cozinha muito boa em sua categoria”, duas denotam “uma cozinha excelente, merece um desvio” no caminho, e três exaltam uma “cozinha excepcional, merece uma viagem especial”.

O guia era destinado aos franceses que viajavam de carro e precisavam de dicas de restaurantes nas longas viagens de carro como Paris a Cote d’Azur. E nesse eixo encontramos ate hoje os melhores restaurantes do interior da Franca, nas regiões de Borgonha e Provença, e ao longo do rio Rhone.

Essa classificação existe ate hoje e consiste a referencia mundial em termos de gastronomia. Ganhar ou perder uma estrela pode significar o sucesso ou o fracasso de um restaurante, principalmente quando o serviço, o lugar e a decoração passaram a obrigar investimentos exorbitantes aos grandes chefs. A tragédia de Bernard Loiseau, o triunfo de Alain Ducasse e a polemica sobre o livro de um antigo inspetor do Guia são algumas estórias que ficarão para os próximos posts.

Na edição de 2012, o Guia Vermelho concedeu 3 estrelas a 26 restaurantes, sendo uma estréia, o Flocons de Sel, na chique estação de esqui de Megève.

O restaurante que escolhemos hoje e’ o Guy Savoy, um 3 estrelas no XVII arrondissement de Paris, perto do Arco do Triunfo. Fiquei em uma mesa próxima ‘a entrada. A decoração e’ moderna com madeira clara, couro e vidro, adornada de obras de arte contemporâneas. O ambiente e’ composto de varias salas, oferecendo conforto e privacidade.


Fui atendido por um maitre de forte sotaque britânico, extremamente simpático, que apresentava os pratos de forma teatral e bem humorada. Estávamos em 6 pessoas e começamos por Champagne Dom Perignon. O maitre perguntou quanto tempo tinhamos e obviamente não apresentamos muitas restrições. Decidimos então pelo menu mais completo e nossas próximas 4 horas se transformariam em uma das mais fantásticas experiências gastronômicas das nossas vidas.

Uma garrafa de Pouilly Fuissé nos acompanhou nas entradas. E a primeira foi um carpaccio de vieiras e trufas que imediatamente posicionou o padrão de qualidade que deveríamos esperar para o resto. Em seguida, passamos a “lagosta azul”, típica da Bretagne, suave e refinada, crua e cozida no vapor. O Bar grelhado, outro peixe da costa Atlântica francesa, com espuma e cogumelos deu continuidade a esta festa de Babette. Antes de mudarmos de vinho, marcamos o meio da refeição por aspargos verdes e ovo defumado (fantástico !).

A escolha do vinho tinto foi difícil, pois a carta e’ rica e diversificada. Acabamos optando por um Cote Rotie (ainda escreverei sobre ele no Vinho da Semana). Depois do foie gras, passamos a especialidade da casa, a sopa de alcachofras. Confesso que fiquei curioso como uma sopa poderia justificar a fama de um 3 estrelas Michelin e, provando, acabei entendendo…

A costeleta de vitela foi o prato seguinte, um casamento perfeito com o vinho. No final, extasiado pela sequência gastronômica, o ultimo prato foi apresentado: lentilhas. Nao gosto de lentilhas, ha 20 anos não comia e, por um instante, achei que minha refeicao nao terminaria bem. Tentado pelas trufas raladas na hora no prato, resolvi provar. Afinal nao poderia recusar o ultimo prato do menu gastronômico. Para minha grande surpresa, o prato estava excepcional e ficara registrado na minha memória para sempre.

Depois do prato de queijos (os franceses comem queijo depois do prato principal e. antes da sobremesa) e das duas sobremesas, passamos ao digestivo. E, junto com outro cúmplice, Fechamos com chave de ouro a refeição com um Calvados do ano do nosso nascimento, 1974.

Saímos a 1 hora da manha, encontramos Guy Savoy e agradecemos por aquela que será uma das melhores refeições de nossas vidas.

Quanto custa: duas propostas a 315€ e a 360€; 170€ a 350€ a la carte

Onde: 18, Rue Troyon – Paris XVIII

Dica do Paris a la Carte: no almoço, você encontra um menu entrada, prato e sobremesa por 110€ e vinhos a 10€ a taça

Aconselhamos reservar com antecedência (www.parisalacarte.com.br)

Por Fabio

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